28/01/2010
Vigilância Sanitária e calamidades públicas
Pouca gente imagina, mas o trabalho da vigilância sanitária é essencial em grandes tragédias. Tanto no terremoto que atingiu o Haiti quanto nas intensas chuvas que assolam o Brasil em janeiro e se estendem até o final do verão, a preocupação em ajudar os necessitados deve se somar aos cuidados sanitários para evitar prejuízos ainda maiores à saúde.
A Anvisa atua produzindo orientações e oferecendo apoio técnico às vigilâncias sanitárias de estados e municípios brasileiros assolados por calamidades públicas. Atualmente, também participa do Grupo Emergencial de Apoio ao Haiti, instituído pelo Ministério da Saúde, e prepara orientações sanitárias para a população daquele país e para os militares que cuidam dos salvamentos, do transporte e do armazenamento de doações.
Em situações como essas, o trabalho da vigilância sanitária, especialmente nas instâncias municipal e estadual, é extremamente importante: é preciso cuidar de aspectos básicos, como a garantia de água potável e alimentos aos desabrigados. Mas a atuação da vigilância sanitária vai além: passa pela triagem das doações de alimentos, medicamentos e produtos para limpeza, pelo monitoramento dos ambientes que recebem os desabrigados, pela orientação à população e pela prevenção de acidentes com os trabalhadores que atuam no salvamento e na remoção de escombros e sujeira.
Enchentes
Já se tornaram comuns, na televisão, as cenas de crianças nadando em meio à água que invade as casas. A inocente brincadeira esconde perigos potenciais: microrganismos, como bactérias, fezes de animais, lixo e até resíduos do esgoto podem ser levados pela água por quilômetros afora, podendo causar náuseas, vômitos, febre e doenças. “Como a urina de ratos se mistura às águas, um dos grandes perigos é a transmissão da leptospirose”, alerta a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito.
Para a diretora da Vigilância Sanitária de Santa Catarina, Raquel Bittencourt, um dos principais desafios é ter clareza de quando e como ir a campo. “Não adianta produzir material informativo orientando as pessoas a procurarem atendimento médico sem antes levantar a capacidade dos hospitais, o número de leitos disponíveis”.
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Doações
Outra questão que merece preocupação é o recebimento de doações. O monitoramento da organização, da triagem e do armazenamento é mais uma tarefa para a vigilância sanitária. Os alimentos precisam ser mantidos longe da água, da umidade, do sol e de produtos para limpeza. Devem ainda ser armazenados em prateleiras distantes do solo.
Nos primeiros momentos que se seguem a tragédias, como as enchentes, é importante privilegiar a doação de alimentos industrializados, já prontos para o consumo. “Geralmente falta água potável e a estrutura básica para preparar os alimentos, inviabilizando a doação daquilo que precisa ser manipulado ou preparado”, lembra Maria Cecília Brito.
Embora pouco lembrada na hora das doações, a água mineral costuma ser, justamente, um dos itens mais necessários: enquanto sobra água nas casas e ruas, falta água nos reservatórios e poços artesianos, que ficam tomados por lama e sujeiras de todo o tipo.
Outro problema está relacionado aos medicamentos: doar medicamentos com o prazo de validade vencido pode causar mais prejuízos que benefícios às vítimas. E, mesmo dentro da validade, esse medicamento pode representar riscos, já que os testes feitos por ocasião do registro, simulam a possibilidade de utilização em condições de armazenamento específicas.
“Não se sabe a que temperatura o medicamento doado ficou exposto, se houve contato com umidade, nem como ele foi transportado e acondicionado. Todos esses fatores podem interferir na eficácia e na segurança de uso”, alerta a gerente de Tecnologia Farmacêutica da Anvisa, Monica da Luz Soares.
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O trabalho integrado com a defesa civil e as vigilâncias ambiental e epidemiológica costuma ser o melhor caminho para viabilizar soluções mais efetivas. Foi o que aconteceu em Anamã (AM), em janeiro de 2009, quando o município, na margem esquerda do rio Solimões, ficou completamente debaixo d’água.
Fonte: Luana Cury/ Imprensa - Anvisa
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